O cartão de visita do CIO

Publicado: 14/03/2007 em Artigos

Por BRUNO FERRARI, em 31/10/2006

Decision REPORT 

A governança de Tecnologia da Informação se transformou em um conceito extremamente amplo, muitas vezes sendo taxada como mais um dos jargões do mundo de TI. Entretanto, o alinhamento direto com as necessidades de negócio, junto com o surgimento de metodologias e certificações como ITIL, Cobit, PMI, CMMI entre outras, transformou a governança em uma das melhores ferramentas que o CIO possui para justificar ao board da companhia a necessidade de liberação de verbas para o investimento em tecnologia. 

E se todas as melhores práticas dizem “O que fazer?”, grandes empresas têm concentrado esforços em soluções especializadas em apontar “Como fazer?”. Entretanto, mais uma vez, apenas tecnologia não é o suficiente para se traçar uma boa estratégia de TI. Dados da consultoria Gartner apontam que 70% dos projetos de governança falham por focarem em tecnologia. As ferramentas voltadas às melhores práticas são poderosas, mas é inconcebível um projeto que não alinhe processos, dados e organização.

“A governança de TI ganhou bastante importância principalmente com a criação de leis como a Sarbanes Oxley, regulamentações do Banco Central e mesmo as exigências para se abrir capital na Bovespa”, ressalta Jorge Luís Cordenonsi, líder de consultoria de TI da IBM Brasil. 

Cordenonsi, que também é professor da FGV no departamento de Informática, lembra que o mercado ganhou maturidade considerável nos últimos anos e que hoje já existem empresas que colocam a governança como uma questão estratégica. “As companhias devem buscar o que há de melhor em cada uma das metodologias de melhores práticas. Neste caso, questões culturais são de extrema importância”, lembra o professor.

O executivo da IBM compara um projeto de governança de TI com a implementação de um ERP. “Para garantir o sucesso de um plano de melhores práticas é necessário trabalhar o gerenciamento de mudança e, principalmente, a cultura dos colaboradores. Portanto tempo é fundamental”, afirma.

Outra questão importante para o CIO é mapear de forma efetiva as necessidades do negócio da companhia juntamente a sua infra-estrutura de tecnologia existente. Os frameworks são segmentados e, muitas vezes, acabam por oferecer mais do que as empresas realmente necessitam. O Cobit, por exemplo, baseia-se no controle de riscos, PMI, no gerenciamento e implementação de projetos, o CMMI no desenvolvimento de software, entre outros.

Pequenas e Médias Empresas

Um paralelo interessante é pensar em um carro. Por exemplo, uma Ferrari e um Twingo. Ambos são automóveis com diferentes níveis de complexidades e de sofisticação, mas os preceitos de como guiá-los e cuidados básicos, como colocar água e trocar o óleo, servem para ambos. É o que teoriza Ivor MacFarlane, autor de um livro que traz o caminho para se implementar o ITIL em pequenas e médias empresas.

MacFarlane lembra que muitas empresas que não possuem modelos formais de melhores práticas já fazem governança de TI sem perceber. Nesse caso, seguir bibliotecas como o ITIL é um trabalho simples, levado muito mais por questões culturais que limitações técnicas e de recursos. 

Estratégia

Vladimir Ferraz de Abreu, autor do livro “Implantando a governança de TI”, procura traduzir o que na realidade a sopa de letrinhas de todos os frameworks trazem para um projeto eficiente de governança. “Hoje a tendência é que todos os módulos atuem em conjunto, mas com uma estratégia bem definida. Não existe um ‘pacotão’ ou a empresa corre o risco de matar uma mosca com um tiro de canhão”, comenta. 

E lembra que um projeto de governança de TI é inteiramente baseado em processos, ou seja, não tem data para terminar. “O grande dilema está na hora da empresa decidir o que vai priorizar. Quais são as áreas mais estratégicas. E isso é específico em cada corporação”, finaliza Abreu. 

Mercado

Do lado dos fornecedores, o discurso é comum. “Os frameworks dizem o que fazer e as ferramentas, como fazer”. Para isso, as soluções que trabalham com os chamados incidentes inteligentes estão entre as mais adotadas no mercado. Ferramentas que usam a inteligência para detectar problemas e apontar as soluções no menor tempo possível e que dão ao CIO condições de apontar quanto a empresa ganhou por meio da união entre melhores práticas e a Tecnologia da Informação.

O que eles dizem

Gabriel Israel, vice-presidente Global de Serviços de Governança de TI da Compuware

“A pergunta que deve ser feita para o usuário não é o que ele quer que o sistema faça, mas sim qual o problema que ele quer resolver. Mapear processos e definir as necessidades particulares da corporação é extremamente importante”.

Jorge Perlas, diretor de Processos da Asyst Sudamérica

“O primeiro passo é definir porque a governança de TI está sendo implementada. As empresas estão gastando horas em projetos de gerenciamento de mudanças, quando poderiam elaborar soluções bem mais simples”.

Eduardo Sterenfeld, gerente de Arquitetura de Soluções da CSC Brasil

“A consolidação da cultura e a consciência dos colaboradores são alinhados com tecnologia. No passado,vários produtos surgiram. Cada um com seu jargão diferente. Hoje, vemos processos mais consistentes em metodologias que unificam conceitos”.

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