Fazer previsões é difícil, especialmente sobre o futuro

Publicado: 02/06/2007 em Artigos

Por FÁBIO L. GANDOUR e CHRISTIAN BECKER

Fonte: IBM Business Center

Um dia alguém comentou esta frase: “Fazer previsões é difícil, especialmente sobre o futuro”. Se você procurar a frase na Internet, vai encontrar a sua autoria ligada ao Niels Bohr (em inglês), um físico dinamarquês que deu contribuições fundamentais para o entendimento da estrutura atômica dos elementos e da Física Quântica. E também vai encontrar a mesma frase, na mesma Internet, ligada ao Yogi Berra, um técnico de basebol americano. Interessante este cenário! A mesma frase atribuída a duas pessoas: uma, o físico, com enorme conhecimento acadêmico e prático, construído por anos de atividade científica ligada à pesquisa e universidades, e outra, o técnico de basebol, “com uma lógica própria, ingênua e típica de pessoas que conseguem, graças ao esporte, uma notoriedade que sua pouca educação não permitiria de outra forma alcançar”.

Assim… meio independente de quem disse isto primeiro, fazer previsões é difícil. Mas… num mundo que muda tão rápido, apesar de difícil, é essencial saber olhar por cima do muro do futuro e tentar enxergar o que está do outro lado. O que vem por aí.

Para quem trabalha em Novas Tecnologias, então, este exercício de futurologia [a palavra já aparece no dicionário Houaiss] é indispensável. E é exatamente sobre isto que gente conversa nesta edição. Ou melhor, sobre três lições que já aprendemos tentando flexionar os neurônios e tentar enxergar o que vem por aí.

Primeira lição: a maioria das previsões sobre o futuro da tecnologia falham! E falham porque os futurólogos exageram. Exageram na criação de expectativas e acabam por transformar algo que poderia ser bom em algo que termina sendo ruim porque foi dito que ia ser ótimo. Portanto, a conclusão a ser tirada desta primeira lição é analisar com muito critério as previsões sobre o futuro. Detalhe: os meses de dezembro e janeiro são a época da “colheita” de previsões sobre o futuro. Um monte de sites, outro monte de jornais e mais um punhado de revistas publicam os resultados do trabalho de seus futurólogos.

Segunda lição: existem [pelo menos] dois tipos de previsões, as que são feitas sobre conceitos e as que são feitas sobre experimentos. Quem conhece um assunto pode se sentir inspirado e seguro para cometer previsões sobre o futuro do assunto. Note que, normalmente, estas previsões são mais baseadas na inspiração do que na segurança. Até porque a inspiração constuma criar um estado de semi-embriaguez que freqüentemente faz o meio-embriagado ignorar um pouco as normas de segurança :-))). Já quem está conduzindo um ensaio [de laboratório] sobre uma nova tecnologia, também vai se sentir inspirado e seguro para prever os resultados de seus experimentos. A experimentação é mais rigorosa com a produção de previsões inspiradas. Conclusão a ser tirada desta lição: quando você der de cara com uma previsão, veja se o seu vidente fez a tal previsão baseada em um experimento ou não.

Terceira lição: para que a nova tecnologia tenha sucesso, ela precisa ser estudada, entendida e trabalhada. Só com o estudo detalhado de uma novidade vai ser possível entender plenamente o seu potencial e principalmente as suas limitações. Detalhe: tudo tem limitações. Ao se conhecer potenciais e limitações da nova tecnologia, passa a ser possível começar a usá-la. E usá-la bem.

Da mesma forma que muito já se disse sobre fazer previsões, nós também temos a nossa frase sobre uma palavra em moda: a inovação. Para nós, a inovação acontece na interesecção entre a criação e seu uso. Mesmo a melhor e maior das invenções não vai inovar em nada se não for usada. Usabilidade é uma necessidade crítica.

Estudar, entender, trabalhar e promover o uso de uma novidade requer tempo. Muito tempo! E tudo hoje anda tão rápido que não temos [e nem damos] tempo para que as etapas necessárias ao alcance da usabilidade de uma novidade aconteçam. Conclusão a ser tirada desta lição: é preciso ter paciência e persistência na absorção e uso de uma nova tecnologia.

Agora, conhecida a teoria, vamos à lição prática! Sim, esse artigo é como uma aula: teoria & prática! A parte prática é simples: entre aqui (em inglês), no site do IDG Now, onde estão as 100 previsões mais ousadas da computação pessoal e analise as que você quiser à luz destas lições e conclusões. Sua análise vai ser muito útil quando você for conversar com o seu cliente.

Fábio L. Gandour – Gerente em Novas Tecnologias
Christian Becker – Editor em Novas Tecnologias

Anúncios
comentários
  1. Hugo disse:

    Adorei o blog de vocês, parabéns!!! nota 10! Se puderem visitar meu site sobre regressao a vidas passadas ficarei muito grato http://www.espacoauryn.com . Abraços

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s