PDAI – Plano Diretor de Automação Integrado

Publicado: 18/06/2007 em Artigos

Por MARCO COGHI

Os Planos Diretores como um tipo de planejamento tático, devem estar integrados aos objetivos do Planejamento Estratégico da Organização. Uma vez postos em operação cada um de seus projetos, devem ser monitorados e controlados a partir de seus KPIs (Indicadores-chave de Desempenho) tanto de projeto como de operações para uma perfeita melhoria contínua de reparos de defeitos, ações corretivas, ações preventivas, métricas e até estratégias, utilizando-se da Tecnologia da Automação para conquistar essa performance. Neste artigo, mostramos que os profissionais de TA, via de regra, dispõem desses argumentos em mãos, mas muitas vezes por não estarem ligados aos assuntos estratégicos da organização não têm sabido utilizar esse cenário a seu favor.

Conceituação de PDAI

PDAI – Plano Diretor de Automação Integrada é um plano tático que determina diretrizes para:

  • Obter-se um planejamento integrado da troca de informações entre níveis hierárquicos;
  • Impedir o efeito “colcha de retalhos” entre os projetos de TA;
  • Padronizar soluções em torno de uma arquitetura sonho;
  • Consolidar tecnologias para os sistemas atuais e futuros a serem implantados;
  • Obter ganho de escala na compra de hardware e software;
  • Prever investimentos em hardware, software e serviços;
  • Idealizar os horizontes de TA, dividindo-o em projetos estruturados e flexíveis para o crescimento ordenado no tempo;
  • Atualização dos sistemas compatível com a velocidade de evolução da tecnologia.

A TA – Tecnologia de Automação como disciplina-chave na organização

A Automação substitui o homem no controle do processo. A Automação condensa painéis de operação em telas de computador, tendo como benefícios a melhoria da Produtividade e Qualidade do processo.

Na década de 80, a automação foi dotada de microprocessadores dentro dos equipamentos que a compõe.

A partir disso, devemos reconhecera a TA como agregadora de valor ao negócio da organização. A partir daí, instrumentos, válvulas, motores, bombas, etc. têm que ser vistos como microcomputadores iguais aos do escritório.

Devido a isso, devemos tirar o máximo proveito da “Informação” ali contida e integrá-la a novos eixos da informação e não só o dos Negócios, como também os de Informações ligadas a Manutenção e Cadeia de Valor.

Pela fácil tangibilidade dos retornos que os projetos de TA trazem:

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É mais fácil justificar o retorno de projetos de TA, considerando a natureza normalmente tangível de seus benefícios, ao contrário de outras disciplinas que sempre acabam por basear-se em aspectos intangíveis.

Os profissionais envolvidos com TA não têm sabido usar este aspecto a seu favor e das indústrias a que servem.

Também não têm percebido a sua importância para implementação de projetos focados na melhoria contínua de “processos chave” de suas indústrias.

As áreas de TA têm estado pouco atentas a alguns movimentos típicos de gestão praticados por boa parte de outras áreas das organizações, tais como:

  • Melhor alinhamento às estratégias do negócio;
  • Utilização de métricas de gerenciamento de projetos e de metodologias formais;
  • Valorização e desenvolvimento de seu corpo técnico;
  • Monitoramento de níveis de serviço e índices de governança;
  • Gerenciamento dos ativos sob sua responsabilidade: equipamentos industriais, hardware e software, entre outros aspectos.

Essa “timidez corporativa” aliada a uma postura normalmente informal, tem levado as áreas de TA a uma posição de afastamento do fórum de direcionamento estratégico dos negócios, QUANDO EXATAMENTE O CONTRÁRIO DEVERIA OCORRER.

Seja a partir da confrontação com as questões investigadas, seja pela constatação de práticas diferenciadas de seus parceiros, temos que fazer a área de TA repensar seu posicionamento e seu papel.

A área de TA se abastece de inúmeras informações de ordem tecnológica, saindo do isolamento e, muitas vezes, poupando investimentos em pesquisa e consultoria.

Se você, leitor, está convencido por essas justificativas até aqui apontadas, peço sua ajuda para multiplicar a missão profissional por mim auto-imposta depois desses anos de experiência na área:

“Disseminar conhecimento dentre dirigentes industriais para verem a TA como disciplina-chave na conquista dos objetivos determinados pelo Planejamento Estratégico da organização”.

Porque começar um PDAI pelo Planejamento Estratégico

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Um planejamento estratégico é um conjunto de ações políticas, econômicas e logísticas para atingir objetivos estabelecidos definidos a partir da análise criteriosa de oportunidades e ameaças do ambiente. O Planejamento Estratégico define o que fazer, como fazer e também define um plano de ação para as implementações práticas. É importante dentro da gerência de projetos para alinhar e prover direção e propósito aos projetos maximizando os resultados obtidos A partir dos objetivos de um Planejamento Estratégico usamos a TA como disciplina chave para apoio a conquista desses objetivos construindo dentro do portfólio de projetos da organização, um programa específico denominado PDAI, o qual conceituamos acima.

Com o “Planejamento” delineado, damos início a “Administração Estratégica” e como exemplo nesse artigo, utilizamos o BSC – Balanced Scorecard como ferramenta para essa implementação. 

Cada estratégia estabelecida deve ser vista por 4 diferentes perspectivas: Financeira, Clientes, Processos Internos e Aprendizagem/Renovação. Cada uma dessas perspectivas busca objetivos, indicadores de desempenho, metas e iniciativas, formando um mapa estratégico.

Ao contrário de começar pela TI, a TA deve ser eleita a disciplina chave para o apoio a obtenção destes Objetivos, Indicadores (também conhecidos como KPIs), Metas e Iniciativas de cada Perspectiva, i.e., Finanças, Clientes, Processos Internos e Aprendizagem/Renovação, pois ao contrário da TI, a TA possui elementos mais tangíveis, mais fáceis de serem medidos e coletados e o mais importante, a custo muito mais acessível que a TI. Como exemplos podemos citar:

  • Finanças: para alcançarmos nossa Visão, que resultados devemos gerar para nossos acionistas e demais stakeholders?
  • Clientes: para alcançarmos nossa Visão, que valor percebido devemos gerar para os clientes?
  • Processos Internos: para satisfazermos acionistas e clientes, em quais processos deveremos alcançar a Opx (Excelência Operacional)?
  • Aprendizagem e Renovação: para alcançarmos nossa Visão, que novos conhecimentos, competências e talentos deveremos desenvolver?

Ao final, um mapa estratégico de exemplo, ficaria assim:

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Olhando pelo lado da gestão estratégica e dentro do ciclo PDCA de melhoria contínua, podemos conceituar esse trabalho assim:

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  • Fase P – PLAN (Transformando Estratégias [Projetos] em Resultados ]Operações]) Começando pelo Planejamento Estratégico, chegando-se nas Estratégias, desdobrando esta em perspectivas (Financeira, Clientes, Processos Internos, Aprendizado/Renovação) e cada uma destas perspectivas em Objetivos, Indicadores (KPIs), Metas e Iniciativas. Criando o Portfólio de Projetos e Programas, entre eles o PDAI.
  • Fase D – DO (Executando a Operação) Tendo a operação dentro de um modelo hierárquico tridimensional de troca de informações, onde recomendamos o CMM, Collaborative Manufacturing Management da American Research Co. e das filosofias de OpX (Excelência Operacional) e DOM (Projeto, Operação e Manutenção integrados)
  • Fase C – CONTROL (Monitorando a operação e Comparando as Medições com o Planejado) Durante a execução da Operação na fase anterior, é necessário monitorar os objetivos, indicadores, metas e iniciativas. Nossa proposta é que o PDAI lance mão desde já do conceito de RtPM – Real time Performance Management, através de portais web hoje já viáveis comercialmente. Uma outra proposta de monitoração e comparação de métricas é fazê-lo por intermédio de aplicativos conhecidos com BI – Business Inteligence, módulos estes recebidos junto da aquisição de ERPs corporativos.
  • Fase A – ACT (Retroagindo as diferenças num próximo ciclo para uma melhoria de resultados) A partir da monitoração das entradas, comparando com as referências planejadas, temos as diferenças obtidas, as quais a partir de planos de ação ferramentalizados por 5W2H, podem chegar a descobertas de causas-efeito, e/ou atuar diretamente nos parâmetros planejados pela Administração Estratégica.

Programa PDAI – Plano Diretor de Automação Integrado aos Objetivos do Planejamento Estratégico da Organização

  • 1º Passo – COMITÊ de AUTOMAÇÃO Base política e diretiva das ações a tomar
  • 2º Passo – DESDOBRAR os OBJETIVOS ESTRATÉGICOS O que a TA pode fazer em apoio a esses pontos? Transformá-los em Planos de ação.
  • 3º Passo – ELABORAR O PLANO Idealizando cada necessidade de TA sendo concebida de forma modular para o crescimento ordenado no tempo e integrada aos objetivos estratégicos.
  • 4º Passo – METODOLOGIA para IMPLEMENTAR os PROJETOS do PDAI na PRÁTICA Garantia e controle do sucesso dos projetos implementados.
  • 5º Passo – COORDENADORIA CENTRAL de TA Depois das diretrizes do Comitê e da Metodologia, é preciso ter um órgão interno para “por a mão na massa”
  • 6º Passo – GERENCIAMENTO da ROTINA Zelador e mantenedor local da continuidade da qualidade do projeto: documentação, hardware e configuração.

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Esse programa deve ser um movimento interno criado pela organização para a educação de seus recursos humanos na auto-implantação um PDAI – Plano Diretor de Automação Integrada.

Consiste num processo contínuo de ensino de técnicas para a nova gestão da TA da organização, transferindo aos participantes: técnicas, práticas e ferramentas para introduzir novas crenças e fazendo-os recriarem atitudes gerenciais inovando nos procedimentos operacionais, transformando a TA numa disciplina-chave para a conquista dos objetivos estratégicos da organização.

Quero sugerir ao leitor que um Programa como esse, deve ser implementado assim como o fora a ISO-9000 na produção: ninguém melhor que seu próprio usuário. Ninguém melhor que ele também para conhecer o processo produtivo, os objetivos estratégicos e as reais necessidades de automação do que seus próprios profissionais funcionários. Devido a esses argumentos, eu lhe sugiro que o Programa PDAI não seja implantado por terceiros, tais como empresas de integração de sistemas em contratos “chave-na-mão”. Como benefícios desse Programa, podemos ter:

  • Mudança de cultura da empresa em relação à Automação;
  • Desenvolvimento de lições aprendidas e a fixação de novos hábitos no dia-a-dia;
  • Aplicação e sistematização de métodos, técnicas e padrões;
  • A promoção de mudanças para satisfazer os objetivos estratégicos da organização.

Este programa tem que ser organizado por seu implantador de forma a facilitar e integrar o papel da direção da empresa no processo, partindo-se de um Comitê de Automação.

No decorrer do programa cada participante deve ser orientado a introduzir, passo a passo, junto de seu Comitê, as práticas descritas nesse livro de como idealizar e implementar um PDAI.

A Automação atual e futura sofrerá atualizações, modificações e aquisições envolvendo a compra e contratação de equipamentos, software bem como serviços de uma forma diferente de como o fora até hoje.

Como forma de aplicação do Programa dentro da organização, sugiro que o seja a partir de 13 reuniões centrais com o Comitê de Automação, sendo uma por mês, para delinear as diretrizes de TA da organização para assim compor o PDAI.

Como objetivos do Programa PDAI, devemos ter:

  • Conscientizar e capacitar dirigentes industriais, média e alta gerência, engenheiros e demais profissionais ligados à coordenação de projetos de investimentos na organização, para a auto-implantação do PDAI – Plano Diretor de Automação Integrada, através da internalizacão dos conceitos, princípios, práticas e metodologias para uma melhor e mais eficiente aplicação da Automação Integrada em seus processos produtivos.

Caso sua indústria já esteja quase toda Automatizada, o Programa aqui proposto também é aplicado, pois iremos rever e questionar a Automação atual e futura, reposicionando-a como uma disciplina-chave para a organização e não mais como simplesmente a substituta de um painel de relés ou redutora de mão de obra.

Eu sugiro que a organização convoque a participar desse Programa os seguintes profissionais: média e alta gerência industrial, gerência de produção, manutenção, utilidades, engenharia, TI – Tecnologia da Informação, processo, segurança e qualidade, além de engenheiros e demais profissionais atuantes na coordenação de projetos de investimentos.

Marco Coghicoghi@cbtanet.com.br – consultor em TI e TA, Especialista em Planos Diretores e Projetos. MBA em Gestão de Projetos – FGV, 2005, Pós Graduação Instrumentação e Controle – EPUSP, 1987, Engenheiro Eletrônico – FEI, 1982, Membro fundador da ISA – Instrumentation, Systems and Automation Society no Brasil, 1989, 26 anos experiência em automação: Eaton, Schlumberger, DigiRede, Promon, Rhodia, Controlmatic e CBTA, Professor universitário Mackenzie, Unisal e Unicamp, Trabalhou em implementações de Automação Industrial e Gerenciamento de Projetos em indústrias de vidro, farmacêuticas, químicas, alimentícias, dutos e transportes de fluidos e usinas de açúcar e álcool. Experiência prática de implantação de Planos Diretores de Automação em grandes companhias multinacionais.

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comentários
  1. Luiz Roberto Tacca Moreira Jr disse:

    Concordo plenamente com o que foi dito, mas o que mais dificulta na implementação de um PDAI é a falta de conhecimento dos funcionários de TA. Como, em sua grande maioria, nao possui formação e qdo tem é formação de engenharia, computação, etc, profissoes com menor visao do negocio. Pelo menos foi isso que senti em meus quase 5 anos de usina de alcool. Sou de TI, mas ajudo bastante TA, que se pensando na empresa que trabalho praticamente nao existe. Os funcionarios conhecem Automação, mas pouco de TI e muito menos do negocio. Teriamos interesse em montar um PDAI, inclusive em TI, mas falta alguem focado a isso.

  2. joaci disse:

    oi gostei da materia estou fazendo um trabalho sob planejamento estrategico
    e gostaria de saber mais dea alguns asunto mai atualizado se poder me dar uma força ficarei agradecido
    e tab gostaria de uma indicação de algum filme sobre planejamento estrategico

  3. Cassia disse:

    Gostei do material, estou montando material para implantar PE dentro de uma instituição publica, gostaria de mais informações.

  4. Alexandre disse:

    Estou com proposta de um PDAI mas preciso apresentar cases de sucesso em empresas que implantaram um PDAI, como comprovar o sucesso de um PDAI implementado de forma genérica?

  5. Muy interesante su propuesta, acá en Uruguay es innovadora.
    Felicitaciones por los artículos e integración de los temas orientados a un resultado final, creativo y moderno.
    Cordialmente
    Martín Pereira

  6. Roberto disse:

    Exclente matéria! Parabéns

  7. […] PDAI – Plano Diretor de Automação Integrado | PontoGP – Jun 18, 2007 · Concordo plenamente com o que foi dito, mas o que mais dificulta na implementação de um PDAI é a falta de conhecimento dos funcionários de TA…. […]

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