Metodologia e gerenciamento de projetos em agências

Publicado: 20/07/2007 em Artigos

Por RICARDO CAVALLINI

A maneira como algumas agências estão estruturadas hoje precisa mudar para que a divisão dos poderes não atrapalhe o gerente de projetos e o trabalho de equipes que fazem parte do core business, como o planejamento.

Fonte: Webinsider – 18/07/2007

Uma das grandes dificuldades que vejo as agências tradicionais sofrendo, resulta da mudança de cenário onde as disciplinas se confundem e aquela estrutura tradicional da agência passa a perder o sentido. Entre as mudanças, está o crescimento de uma porção produtora dentro da agência.

Não é um problema sentido nas grandes agências digitais porque elas já nasceram com uma parcela grande de produtora. Diferente do histórico das agências que é agenciar, nas digitais, especializações como gerência de projetos ou controle de qualidade não são novidades.

Por mais criativos que sejam, a fórmula utilizada em veículos de massa tende a fugir da tradução literal de projeto, que obrigatoriamente envolve as palavras “temporário” e “único”. Antes que alguém reclame, digo temporário e único em relação ao projeto, não ao conceito, a criatividade ou a campanha.

Projetos verticais
Dando apenas um exemplo bobo: um site institucional pode conter dezenas de textos, dos mais variados tipos, tamanhos, sabores e pior, variados processos. Briefing e aprovações em tempos diferentes com processos únicos. Enquanto alguns precisam passar pelos gerentes de produto, outros precisam da aprovação do departamento legal. Enquanto alguns são mais vendedores, outros são mais jornalísticos. Algumas vezes envolvendo tradução e localizações, e por aí vai.

Em agências digitais, os trabalhos são muito mais verticais, por isso a necessidade do profissional de projeto. Não é desdém ao pessoal do tráfego, mas é que são trabalhos distintos. Um pinta paredes, o outro restaura quadros. Pintar paredes é muito mais árduo, mas restaurar quadros requer conhecimentos e especializações para não causar estrago na obra. Sem nenhum juízo de valor ou preconceito na metáfora usada. Se você precisa de um pintor de paredes, o restaurador será caro e pouco útil para você.

Processo matricial
A mistura de disciplinas traz nova complexidade para a agência. Os projetos se tornam mais complexos, mais diversos e envolvendo cada vez mais “ciências”. Além das especializações mais comuns, uma salada russa de novidades como arquitetura de informação, inteligência artificial, syndication, conteúdo colaborativo, SEO, guerrilha, jogos, viral, ARG, etc.

A seqüência atendimento, planejamento, criação, produtora passou a não funcionar tão bem. O processo, que antes tinha grande linearidade começa a mudar. O planejador precisa sentar junto com a criação, a mídia junto com o planejamento. Na verdade, todos precisam sentar juntos.

Não é falta de processos, é um processo mais matricial. Não adianta o criativo pensar em algo para depois a tecnologia enterrar o projeto por ser muito custoso ou por ser inviável entregá-lo no prazo.

Alguém pode dizer que é impossível ter projetos em agências por causa do caos que vivemos. As coisas caem de pára-quedas enquanto clientes e criativos mudam tudo sempre na última hora. Sem contar os malditos prazos que surtariam qualquer gringo. Mas isso é balela, o caos existe igual nas agências digitais e a disciplina de projetos funciona muito bem, obrigado. É um caos controlado.

Aliás, deste caos vem a maior dificuldade de contratar profissionais de projetos para o mercado de comunicação.

Cultura
Claro que o caos atrapalha pra cacete, mas na minha opinião, o maior problema não é ele. Não adianta simplesmente contratar um gerente de projetos para uma agência funcionar melhor.

O gerente de projetos é apenas parte do trabalho. É preciso criar uma metodologia adequada para este novo cenário. E mudar a cultura de uma empresa não é fácil, principalmente implementar uma metodologia, que é visto por muitos apenas como burocracia.

Nos papéis descritos para o profissional de projetos está o de pensar, monitorar e reportar. Mas ter um dedo duro na agência para apontar culpados não resolve. A equipe de projetos precisa ter poder para manter custos, escopo e prazos na linha.

E sabemos que a divisão dos poderes dentro de muitas agências costuma ser bastante desproporcional. Esta desproporção não dificulta somente o trabalho do gerente de projetos. Dificulta também o trabalho de equipes que fazem parte do core business da agência, como o planejamento.

Isso significa mudar toda a maneira como algumas agências estão estruturadas hoje. O trabalho não é pequeno, muito menos agradável.

Ricardo Cavallini é profissional de comunicação interativa, professor de marketing direto na ABEMD, autor do livro “O marketing depois de amanhã” e editor do Coxa Creme.

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