Como é trabalhar nos EUA

Publicado: 23/07/2007 em Trabalhar no Exterior

Por Aldo Dórea Mattos, MSc, PMP – aldomattos@terra.com.br

Trabalhei na Califórnia entre 1992 e 1995 pela Odebrecht. O que me capacitou para ser transferido para os EUA foi principalmente domínio do idioma, algo que não era comum na construtora.

As obras
Depois de ter passado vários meses empenhado em preparação de propostas para licitações, incorporei-me à primeira obra: construção do Santa Ana Channel. A obra consistia na pavimentação em concreto do fundo e taludes da calha do rio Santa Ana. Adquirimos uma moderna pavimentadora mecânica, montamos uma equipe jovem (o gerente de contrato tinha 29 anos apenas) e aprendemos a trabalhar.

A segunda obra foi o maior contrato de obra pública dos EUA na época: a construção da Seven Oaks Dam, uma gigantesca barragem de 30 milhões de m3 de terra e enrocamento. Para ganhar a concorrência, a Odebrecht apostou num complexo sistema de correias transportadoras, que serpenteavam por 10 km desde as jazidas de material até a praça da barragem. Tanto esta obra quanto a anterior tinham como cliente o afamado U.S. Army Corps of Engineers.

Os profissionais
Pensei que todo mundo nos EUA era high-tech e fera em programas de computação. Ledo engano. Na Odebrecht usávamos mais computador do que as construtoras americanas. O que eles têm de bom é a praticidade. Os formulários de controle são bem-feitos e fáceis de usar. O fechamento das licitações era feito a lápis, com contas manuais.

Os engenheiros americanos não são superiores aos brasileiros, porém conversam menos e se concentram mais no trabalho. Na hora que termina o expediente, deixam o lápis no meio da palavra e vão embora. Todos têm uma série de manuais práticos para cálculos expeditos de volumes, dimensionamento de vigas, cálculo de vazões, etc. Isso me impressionava.

As obras são chatas nos EUA, porque a formalidade dos americanos tira o lado gostoso. Nosso cliente simplesmente era proibido de tomar café em nosso trailer e as reuniões da barragem eram filmadas. Para fazer um churrasco, era precisa avisar com letras garrafais que se tratava de uma atividade opcional, senão os operários ganhariam hora extra (é mole?). E nem uma cervejinha…

Nas obras, muita coisa moderna. No setor de equipamentos, por exemplo, tínhamos um terminal ligado ao fabricante (Caterpillar) para solicitação direta de peças, o que diminuía o estoque da obra e facilitava a comunicação. Nos caminhões fora-de-estrada instalamos um software que dava ao final do dia o número de viagens, distância percorrida em cada uma, tonelagem transportada e histograma para avaliação de desempenho. E o combustível era vermelho, porque ele é subsidiado para a construção civil e por isso é vendido com um pigmento para diferenciação.

Um conselho
Mais importante do que um bom currículo, é preciso saber inglês para trabalhar no exterior. Isso é absolutamente essencial. Quem não sabe inglês, um conselho: matricule-se logo num curso. O mundo funciona em inglês.

Para mais detalhes sobre as obras americanas, leiam o artigo que está em meu site.

Aldo Dórea Mattos, Engenheiro Civil, Advogado, MSc, PMP – aldomattos@terra.com.br

Links: www.aldomattos.com | www.doreamattos.com.br

seven_oaks_dam.jpg
Seven Oaks Dam

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