Gerenciar qualidade no desenvolvimento de sistemas

Publicado: 14/10/2007 em Artigos

Por Ricardo Veríssimo

Ao incluir o gerenciamento da qualidade nos processos de desenvolvimento, mesmo de forma experimental, sua empresa vai obter resultados muito positivos no sistema e no ambiente de trabalho.

Fonte: Webinsider – 8/10/2007

Hoje cada vez mais se fala em gestão por processos e gestão por projetos. Mas e a qualidade dos processos de desenvolvimento de sistemas? Essa é uma pergunta que pode e deve encontrar resposta em sua empresa.

Quantos vezes encontramos sistemas onde só o programador sabe mexer? Este sistema, se o programador abandonar o projeto, vai ficar parado um bom tempo ou até mesmo morrer.

Isso acontece por falta de controle nos processos e pela cultura que temos de avaliar processos pelo resultado final e não pelas etapas. É a cultura do lucro, onde o que importa é se “deu lucro”.

Temos outros hábitos prejudiciais, como não comentar códigos no ato do desenvolvimento, não modelar antes de desenvolver e deixar o levantamento de requisitos para ser realizado pelo próprio programador.

Uma das formas de ter qualidade é seguir os velhos e conhecidos passos da metodologia de desenvolvimento de sistemas. Outra forma é saber, como, porque, quando e onde estão os melhores e os piores resultados do projeto com visão processual. Aqui começamos a gerenciar a qualidade.

Usando a analogia, é o caso da famosa tática de “Dividir para conquistar”. Mostra bem o que é a gestão por processos – ver como cada parte de seu processo ou partes dele afetam os seus resultados.

Qualidade em termos de sistemas pode ser definida basicamente como “quando o sistema satisfaz os requisitos”. Então para termos qualidade, temos que analisar os requisitos e termos sua modelagem muito bem definida.

Os benefícios de ter um sistema desenvolvido com qualidade são redução de custo, aumento da satisfação dos clientes internos e externos, redução do retrabalho, redução dos riscos negativos e outros particulares a cada sistema.

Outra coisa comum no desenvolvimento de sistemas é o de dar ao sistema funcionalidades extras não levantadas nos requisitos iniciais. Essa prática não é recomendada, pois pode gerar confusões e problemas. Alguns analistas e programadores gostam de agir como “Mãe Diná”, imaginando ou prevendo aquilo que o cliente desejaria no sistema. Essa preocupação é louvável e altamente produtiva no desenvolvimento de produtos ou sistemas, mas não no cumprimento de requisitos, onde essa parte já foi exaustivamente realizada.

Uma forma de gerenciar a qualidade é usar métodos, metodologias ou passos de qualidade de grandes nomes nesta área, como W. Edwards Deming, Joseph Juran e Philip Crosb.

Particularmente, gosto muito das idéias de Deming, que foram baseadas nas técnicas japonesas na década de 1950. Deming estabeleceu alguns pontos conhecidos como princípio de Deming, representando fundamentos para alcance da qualidade.

  1. Criação de constância de propósitos na melhoria contínua de produtos ou serviços;
  2. Adoção da nova filosofia;
  3. Não dependência da inspeção em massa;
  4. Cessão da prática de avaliar transações apenas com base no preço;
  5. Melhora continua do sistema de produção e serviços;
  6. Instituição do treinamento profissional do pessoal;
  7. Instituição da liderança;
  8. Eliminação do medo;
  9. Romper a barreira entre os departamentos (visão por processos);
  10. Eliminação de slogans e exortações para o pessoal; 
  11. Eliminação das quotas numéricas;
  12. Remoção das barreiras ao orgulho do trabalho bem realizado;
  13. Instituição um vigoroso programa de educação e reciclagens nos novos métodos;
  14. Planos de ação: agir no sentido de concretização e transformação desejada.

Os militares conhecem a frase “A tropa é o espelho do comandante”, que traz muito da realidade. De acordo com o grande autor Joseph Juran, os problemas da qualidade são causadas em sua maioria pelos seus dirigentes e não por seus funcionários. Juran também desenhou a qualidade como fator resultante de planejamento, controle e melhoria.

Existem vários métodos ou metodologias que se baseiam na trilogia planejamento, controle e melhoria, como por exemplo a Kaizen, que significa Kai (alterar) e Zen (fazer melhor ou aprimorar).

Incluir a gerência da qualidade no fluxo de desenvolvimento dos sistemas pode gerar a melhoria dos processos e do sistema. Basicamente, podem ser seguidos os seguintes passos (que cada empresa pode e deve adaptar à sua realidade):

Planejar o sistema –> Planejar a qualidade –> Aprovar o plano –> Executar o desenvolvimento –> Avaliar a qualidade.

Aqui entram as melhorias da qualidade, as ações corretivas, o registro das ações corretivas e seus resultados práticos no sistema e a atualização do plano.

Aqui acontece o feed back: controle integrado de mudanças e retorno à execução do desenvolvimento.

Existem algumas técnicas e ferramentas que também podem ajudar muito na gerência da qualidade do projeto:

  • Análise de custo e benefício. O equilíbrio entre custos e benefícios é importante para mitigar quais pontos devem ser controlados e quais, devido ao custo alto e baixo benefício, devem ser deixados de lado.
  • Benchmarking. Comparação do sistema atual a outros projetos da organização ou externos a ela, para verificar as melhores práticas, ajudando a fornecer padrões de comportamento, estatísticas, criação de idéias e etc.
  • Ferramentas adicionais. Algumas outras técnicas que podem ajudar, como brainstorming, diagramas de afinidades, análise de campo de força, diagramas de matriz, fluxogramas e matrizes de priorização.

Conclusão: tente

No calor dos prazos e dos custos, muitas vezes deixamos de lado as técnicas, metodologias e práticas de desenvolvimento de sistemas e tudo isso afeta a qualidade do sistema desenvolvido. Podem acreditar que só o fato de sua empresa incluir nos processos de desenvolvimento o gerenciamento da qualidade, mesmo que de forma experimental, isso vai gerar resultados muito positivos no sistema e na ambiente de trabalho.

Ricardo Veríssimoricardo@rverissimo.com.br – é consultor de tecnologia, sócio gerente da RVeríssimo Consultoria e Tecnologia Ltda e técnico de processamento de auditoria de sistemas e processos da Loudon Blomquist Auditores Independentes.

Link: Webinsider

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