A maneira certa de dizer “Não”

Por Fábio Geraldo dos Santos

A difícil arte de discordar das pessoas, sem prejudicar a convivência, os relacionamentos.

Ninguém gosta de ouvir um “não” como resposta a um pedido, isso é fato. Certamente alguns se importam mais, outros se importam menos, mas o desagrado é quase inevitável. Sendo assim, profissionais devem ter discernimento e sabedoria na hora de recusar algo, independentemente do grau de hierarquia.

É inevitável dizer “não” determinadas vezes. Entretanto, a recusa deve vir sempre acompanhada da explicação dos motivos pelos quais o profissional não pode realizar determinada tarefa ou favor.

Bom senso deve ser a palavra-chave. “Se o chefe pede alguma tarefa, mas o funcionário está sobrecarregado, deve deixar isso claro. Deve mostrar que a tarefa não poderá ser feita porque, realmente, será impossível, já que está ocupado realizando diversos outros trabalhos”.

Uma forma indireta de dizer “não” é listar para o chefe todas as tarefas que está realizando, pedindo que ele estabeleça prioridades. “O profissional esta negando, mas de uma forma polida e por um motivo justo”.

Todo profissional, também, deve ficar atento a sua postura corporal, para não passar uma idéia negativa à pessoa que está recebendo sua recusa. “É preciso estar atendo a tudo, principalmente, ao tom de voz, que não pode passar agressividade ou falta de interesse”.

Defendem alguns especialistas que a postura é extremamente importante, na hora de dizer “não”. Para eles, o olhar e a expressão facial devem ser agradáveis, de modo a amenizar a carga desfavorável da negação.

Ninguém gosta de ouvir a palavra “não”. Existem pessoas que não se importam tanto, e outras que têm a auto-estima muito afetada com a negação. Aqueles que se recusam a fazer algo devem procurar suavizar ao máximo esta atitude, seja com um sorriso, seja pelo tom da voz. A pessoa que ouve a palavra tem que sentir que o “não” é para algo que ela está pedindo naquele momento, sem qualquer implicação pessoal.

Por mais que dizer “não” a colegas possa parecer mais fácil do que recusar alguma coisa ao chefe, a tarefa pode ser muito mais difícil. O colega de trabalho é aquela pessoa com quem o profissional tem um contato extremamente direto. Ter um bom relacionamento é essencial. Uma recusa mal interpretada pode gerar problemas, conflitos internos e, também, externos.

Numa análise de cada situação, é preciso tomar, com colegas de trabalho, os mesmos cuidados que se toma com o chefe, na hora de dizer “não”, para evitar comprometer a harmonia do grupo. É claro que quem está pedindo um favor, também, tem que ter o bom senso de avaliar se o outro pode atender à demanda. Na hora de dizer “não”, seja gentil:

  • Exponha claramente os motivos da recusa;
  • O tom de voz não pode transmitir agressividade;
  • Fique atento à postura corporal.

Agora, cabe um questionamento: Como discordar do chefe sem queimar seu “filme”? No mundo corporativo, todo mundo tem um chefe a quem, bem ou mal, deve se reportar. Por mais alto que você esteja no grupo hierárquico, sempre haverá alguém um degrau acima do seu. E é mais do que provável que, com a convivência, surjam divergências de pontos de vista ou mesmo de temperamento. O que fazer então, quando isso ocorre? Bem, se você for o chefe, fica mais fácil, já que as chances de sua opinião prevalecer são bem maiores. Mas se você for subordinado, aí a coisa se complica. “Discordar do se chefe sem correr o risco de sair chamuscado é uma arte”, diz um especialista no assunto, Sidnei Oliveira.

Veja alguns de seus conselhos para divergir com eficácia:

  • Esteja amparado por resultados – certa vez, o legendário fundador do Bradesco, Amador Aguiar, deu uma ordem que o gerente de uma das agências bancárias se recusou a cumprir. O gerente dizia: “Não vou fazer desse jeito, nem que tenha que despedaçar o chapéu do presidente”. Quando Aguiar soube disso, perguntou qual era a produtividade da agência. Era das melhores. “Acho que vou ter de comprar um outro chapéu”.
  • O chefe continua batendo o pé, mesmo depois de você mostrar, por A mais B, que ele está errado – nesse caso, a melhor alternativa é expor a situação ao chefe do seu chefe. No ambiente corporativo de hoje, é possível fazer isso, sem receio de represálias.
  • Antes de discordar, conheça bem o seu chefe – veja que tipos de argumentos funcionam com ele e em que tom você deve conduzir a conversa.
  • Convoque um árbitro – se o placar do debate está 0 a 0, chame uma terceira pessoa – alguém em quem o chefe confia e que respeita – para depor a seu favor. Com o voto de minerva, a serpente pode ser esmagada, ali mesmo.
  • Se não estiver bem ancorado em informações e cifras, peça um tempo para levanta-las – saia, arranje-as e retorne bem abastecido – e com discurso na ponta da língua.
  • O tamanho da tenda do circo depende do tamanho do espetáculo – veja se o desgaste de discordar do seu chefe vale mesmo a pena. Se ele vier com uma idéia ou uma ordem que, apesar de você achar sem pé nem cabeça, são inofensivas, deixe estar.
  • Pense antes de falar e agir – há sempre temas e atitudes, palavras e gestos que devem ser evitados, a qualquer custo, sob o risco de você ser colocado da porta pra fora, antes mesmo de introduzir a discussão.
  • Apresente uma solução melhor que a dele – faça isso com sutileza e cautela. Se ele pensar que você está apenas aperfeiçoando uma idéia que é dele, melhor ainda.
  • Faça outros tomarem partido – seu chefe solta uma tolice numa reunião de departamento. O que fazer? Depois de dar a entender que você tem uma posição diferente da dele, peça a opinião de outros da equipe; isso ajuda a criar uma rede de defesa e reforça seu ponto de vista. Mas se a equipe for “pró-chefe”, resigne-se – e fique na sua.

Quando tiver  que falar ou receber um “não” fique atento:

  • Preservar as relações, acima de tudo, é fundamental. Não deixe que um “não” destrua a relação que já existe ou que possa vir existir entre duas pessoas.
  • O “não”, na maioria das vezes, está ligado ao assunto em questão, por isso não leve para o lado pessoal.
  • Tente colocar-se no lugar do outro e entender quais são as razões que o levaram a pronunciar o “não”.
  • Quando tomar uma decisão, procure focar a tarefa em si, seus benefícios a viabilidade e não somente a pessoa que está fazendo a solicitação.
  • Seja claro e sincero ao dar uma resposta negativa. Argumente e ofereça justificativas para embasar sua resposta. Muitas vezes, problema não está em receber uma resposta negativa, mas sim, na forma como ela é dita; então, fique atento com a postura e ao tom de voz.
  • Saiba negociar, conversar, trocar informações, conhecer melhor o assunto em questão; só depois, dê a resposta.
  • Respeito e confiança são essenciais para manter relações de trabalho saudáveis, mesmo tendo que dizer “não” algumas vezes.
  • Tente ajudar os outros, sempre que possível; isto é cooperação, mas nunca assuma algo que não é capaz de fazer, só para agradar o outro.

Estão vendo! Dizer um “não” quando precisa ser dito, não faz mal a ninguém. Entretanto, o exercício prático deve se fundamentar na alimentação da sabedoria e do discernimento diário.

E, boa sorte!

Fábio Geraldo dos Santos – fabiogiacchero2005@yahoo.com.br

Tenho 26 anos. Graduado em Administração de empresas há 03 anos. Atuei como Diretor de Recursos Humanos numa Consultoria Junior durante 02 anos e atualmente exerço a função de Supervisor de Telemarketing numa empresa Terceirizada da Caixa Econômica Federal, em Belo Horizonte.

1 comentário

  1. Andrea Lourenço · maio 28, 2009

    FANTASTICO! PARABÉNS AO AUTOR PELO ARTIGO BRILHANTE.

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